segunda-feira, 18 de agosto de 2008

bakantza

______ Xico

______ Sofia

Pois é caros companheiros, como tudo o que é bom se acaba, lá se foram as férias...... Desta vez, e para não variar, decidimos passá-las entre montes e vales e rumámos aos Pirinéus aragoneses para disfrutar de penedos e trovoadas como não tinhamos visto nunca!!!!

Mais concretamente fomos para uma zona próxima do “Parque Nacional de Ordessa y Monte Perdido” sítio emblemático e bastante bem preservado (aliás nós passámos o tempo a dizer –“F***-** esta m**** é um exemplo de conservação e tal.... Está bem pa c*******!” mas como na net somos bem educados abstemo-nos, e censuramos essas locuções)

Hummmmm, ja me estava a perder! Então partimos de Madrid no nosso carro novo (alugado por duas semanitas, claro está!) em direcção Madrid-Zaragoza-Huesca-Nenhures (leia-se Torla, o nome do pueblo) sem mais factos dignos de nota do que termos visto a Expo ao longe (ta bonito sim senhora), termos visto Huesca que é uma aldeia disfarçada (e mal) de cidade e de nos termos enjoado (eu e o Shima) como porcos no camião que os leva para o abate! Além do calorão insuportável que estava em Espanha por esses dias!!!

Tcharannnnnnn!!!!!! Este foi o primeiro relance que tivemos do sítio!!!!! Depois de dois minutos durante os quais tentamos recuperar a fala continuámos a ver esta paisagem cada vez mais perto, até que chegámos ao parque de campismo. E aí, tcharannnnnn!!!!!

O parque de campismo era mesmo em frente ao mega-penedo que podem vislumbrar na foto!!!! Eu sei que nao é um penedo, é uma formação geológica (canhão na sua forma mais orgulhosamente tuga, canyon na sua forma yankee) de origem cársica formada devido à natureza calcárea das rochas desta zona!!! (melhorou hein?)

Perco-me, perco-me. Só não perco a cabeça ....... porque, porque!

Bom.... é uma pena que não tenhamos tirado uma foto à entrada do parque porque era um verdadeiro espectáculo de cor. Estava constituído por duas casas de pedra literarmente cobertas por flores de todas as cores. Flores estas que só duram a epoca estival visto que o inverno nesta zona dura 5 meses ao ano. Que dureza!!!!!!!!!!!

Entao lá nos instalámos e tratámos de começar a explorar a zona (leia-se “andar como loucos”, nunca menos de 30kms por dia, quase nos mata aos dois ( Sofia & Shima)). Deixo-vos uma digitalizaçao ranhosa do mapa que levámos, espero que consigam perceber alguma coisa(a quadrícula é de 1km de lado, a escala ficava numa ponta da carta e deu-me preguiça!!!

Eu pessoalmente ia com pretensões de dar um passeio por um três mil, de preferecia o Monte Perdido que só com este nome já ganha uma espécie de aura mágica. Se se juntar ao nome enigmático os seus 3355 metros de altitude, a necessidade de o subir em dois dias (de mencionar que o refugio onde se pernoitava estava completo todo o mês de Agosto) (a nao ser que se alugue um taxi 4x4 que custa uma fortuna ou se pague a um guia a módica cuantia de 130€ por pessoa), os tres glaciares que o rodeiam (e é preciso atravessar pelo menos um para lá chegar) ou o facto de dia 5 de Agosto estar cheio de neve e serem precisos “cranpons” e “piolets” para la chegar, depressa se chega à conclusão de que a montanha me pôs no meu lugar (cá em baixo nos vales)! É que isto é uma montanha muito, muito séria! Daquelas que emocionam! Se não vejam esta foto do montito tirada a uma cota de 1900 m de altitude a uns 6 km em linha recta do dito! (reparem que abaixo se vê o trilho que fizemos no 4 dia).

Pois é.... muita areia para a minha camioneta!!!!! Mas não se preocupem pelo meu estado anímico... eu ja superei o assunto (mas custou), decidi que temos de voltar para o subir e ponto final. Alguém quer vir? ;)

Mas não pensem que estivemos o tempo todo a olhar para a montanha que não íamos subir, fizemos as nossas caminhadas (ver mapa) intercaladas com um ou dois dias de descanso. É que as patas do Shima ja nao são o que eram!

Nos dias de descanso aproveitamos para calcorrear a zona circundante, fomos a Jaca que é uma cidade virada para a montanha e que parece viver do turismo de inverno, fomos a Panticosa que é uma zona de esqui (mas não dava pa esquiar) entre outros “pueblos” mais ou menos interessantes e que ficavam perto!

Nos dias em que fizemos caminhadas aproveitámos para disfrutar dos rios da zona (as fomosas marmotas nem ve-las no entanto sempre havia companhia de uns abutres pirinaicos gigantes que confundiam o shima com um coelho). A água estava a uma temperatura agradabilíssima (para cerveja) e portanto tomar banho era uma espécie de sofrimento refrigerado (mas tomamos, sem bem que o xico ficou a falar fininho depois)!

Mas como disse no início tudo o que é bom se acaba e depois de uma semana de estadia pelos pirinéus o tempo deixou de ajudar e fugimos para o País Vasco. Até esse momento só tinha chovido e trovejado durante as noites ( TROVEJADO a sério, com raios a cair em arvores a a causarem pequenos incendios, e os teus ouvidos a zuir alguns segundos depois do trovão), mas como a coisa ia virar (e acreditem que é um sítio tramado para apanhar uma tempestade!!!!) decidimo-nos por um bocado de praia antes de acabar as férias. Deixo-vos uma imagem tipo eu (postal) de Torla que é a aldeia mais próxima do camping!!!!

Então lá fomos Torla-Jaca-Pamplona com paragem para almoço domingueiro nesta última que também se pode chamar Iruña e que compreendeu paella (e boa) e voltar a arrancar Pamplona-San Sebastián-Lumo-Mundaka (ou seja Iruña-Donostia-Gernika (sim... a do Picasso) – Mundaka).

Mundaka é uma vilória (pueblo) que parece ter sido um antigo destino turistico de classe alta que foi abandonado ( coisas da ETA ?!?) e reconvertido num destino de surf. Tem um bocado ar de cidade fantasma, nao sei.... é um sítio estranho. A grande vantagem é que fica perto de Bilbao que tem os seus encantos! ( de notar que o País Vasco tem aproximadamente 16 campings e quase todos em Viscaya, logo a escolha por Guipuzcoa não era muita)

Pois é, e pouco mais... a nao ser os fait-divers de estar a acampar e apanhar coisas como um casalinho de tugas obececados com o desporto, uma holandesa cota que não parava de arrotar e dar peidos sendo imediatamente criticada pela sua companheira, trovoada que parece que vai rachar a montanha que está por cima de ti em dois, cães com as patas inflamadas das caminhadas (pobrinho), montanheiros equipados para subir e descer o Everest quatro vezes seguidas mas que na verdade não saem muito do bar do parque de campismo, campings de praia que parecem ter sido invadidos para um casting da edição francesa dos morangos com açúcar, pessoal que não diz “hola” diz ”aupa” e não diz “adiós” diz “agur”.

E nós também, AGUR!!! AGURE (esta é a versão mais provinciana)

3 comentários:

João Belchior disse...

férias bem passadas!! sim senhor!!

quanto ao convite se quiserem um cola.. é uma questao de marcar..

(devo dizer que mui nobre foi essa arte de "postar" a dois :P)

beijinhos e abraços

José Alves disse...

Eh pá ja vi que houve muito amor de Perdicao nesse Monte Perdido! Alias, até porque qualquer um que se perca anda a monte... O que faz todo o sentido!
Muito sentido fiquei eu com este eximio relato de umas valentes passeatas e de muito laurear a pevide!
Quanto a cena do glaciar secalhar com o cosolets ou até um arctangolets, eras gajo para formular ai outra probabilidade de inverter o gelo. Ou isso ou é uma questao de esperar uns anitos que isso vai tudo escorrer pelo vale abaixo!
Grandes fotos, grande relato, quase melhor que o "ripa na rapaqueca". Por falar nisso, vou já apanhar o abiao na segunda e tratar de acalmar os calores com a patroa! Olé e bibo o NELSINHO!!!

Bataman disse...

sebem! já pude comprovar que o shima já recuperou da caminhada e continua o mesmo louco psicopata de sempre. obrigado mais uma vez pela hospitalidade da família queijovinhateira em madrid. e acho que é mesmo de levarmos a sério o RAPto e nos organizarmos para irmos todos juntos montar e demontar montanhas pelos pirinéus. agora que já temos o blog para a distância, só falta mesmo passarmos uns dias todos juntos a fazer algo de especial, tipo gastar sapatos e estar demasiado ofegante para conversar, mas estar-se bem na mesma. (não quero lançar boatos, mas o marron anda a precisar de exercício)